Hello Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca

Sempre disse que quando terminasse a universidade iria aproveitar o verão para descansar. Após 16 anos a estudar qualquer um de nós merece! Foram várias as vezes que me avisaram de que estava a perder oportunidades. Nunca me importei, sabia que iria ter a oportunidade certa na altura certa. E assim foi. Após aproveitar os últimos 3 meses de férias de verão da minha vida, comecei a procurar emprego em setembro e mesmo assim ainda não me sentia pronta (foi só para deixar de ouvir os meus pais). Foram exatamente 2 meses - não digo de "procura" porque não procurei, deixei as oportunidades virem até mim. Apenas enviei currículos para locais onde gostaria de trabalhar, não andei numa de desesperada a enviar para tudo o que era canto redondo. Enviei maioritariamente para hospitais e meia dúzia de unidades.
O inesperado aconteceu. Fui convidada para uma entrevista no Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, mais conhecido por Hospital Amadora-Sintra. Perdi a esperança quando vi a lista interminável de pessoas... Sou pessimista, sempre acho que qualquer pessoa é melhor que eu, no entanto acabei por ser seleccionada ainda na entrevista, mas só me apercebi quando saí - quem me conhece sabe o quanto sou meio aérea - claro que explodi de emoção, só tinha vontade de voltar ao gabinete, abraçar o Enf. Diretor e pedir desculpa pela minha falta de sensibilidade pela oportunidade dada. No dia seguinte fui assinar a papelada e comecei esta semana no serviço de internamento de Ortopedia. Foi tudo muito rápido e ainda mal acredito.
Ter definitivamente um cartão onde diz Enfermeira ao invés de Aluna de Enfermagem até lhe dá gosto fotografar diariamente. Ainda tenho por hábito tratar os enfermeiros por você e a palavra "Enfermeiro" antecede sempre o nome da pessoa, com calma irei lá. Chamarem-me de colega é qualquer coisa de... estranho. Sinto o peso da responsabilidade a triplicar e no fundo sabe tão bem!
Ahh a melhor parte de todas e aquela que eu sempre achei piada: "picar o ponto". Tantas vezes ouvi "tenho de ir picar o ponto" ou "ah esqueci de picar o ponto". Ver o enfermeiro chegar e passar a impressão digital na maquineta para registar as entradas e saídas dos turnos era algo que tanto ansiava fazer que todos os dias (quase) me esqueço! Quando a maquineta identificou a minha impressão digital e apareceu o meu nome até me vieram as lágrimas aos olhos... (não exageremos). Ela será a minha rival contra o tempo.