Emigração

Na semana passada a minha turma teve a última cadeira do curso, chamada "Introdução à Vida Profissional". Eu supostamente não precisava de estar presente uma vez que fiz os créditos todos no Brasil, mas como menina semi-aplicada que sou, peguei no carro e lá fui gastar gasóleo. Os sumários eram algo do género "Sindicato", "Ordem dos Enfermeiros", "Curriculum Vitae", "Oferta de Emprego", etc. Até aqui tudo muito interessante.
A aula onde o sindicato esteve presente foi logo a primeira para aquecer os nossos corações, revelaram o número miserável que iremos receber caso comecemos a ser explorados, ah desculpem, a trabalhar. Sim caso comecemos a trabalhar, porque no dia que a Ordem dos Enfermeiros foi à sala disseram-nos estas palavras "Quem está a espera de estar a trabalhar em setembro? e em dezembro? - ninguém levantou a mão - Pois, não esperem". Maravilhoso! Só aí fiquei cheia de motivação para fazer o curriculo!! No entanto na aula seguinte ensinaram-nos a fazer um bom currículo europeu para sermos aceites por empresas de recrutamento, atenção, não para sermos aceites em Portugal. Espectáculo, diria eu!! Keep calm... ainda faltava a aula "Oferta de Emprego", esta devia ser interessante e iria compensar todas as outras. Claro que não. Chegou-nos à sala uma empresa de recrutamento de enfermeiros para a Irlanda, Reino Unido, Holanda, Alemanha e Arábia. Fiquei tão deslumbrada que a seguir fui festejar para o Mc Donald's.
Resumindo e concluindo, andei 4 anos a penar a ouvir dizer "quanto melhor és mais fácil será" para chegar ao final e convidarem-me literalmente a EMIGRAR, mostrando-me que não há qualquer oportunidade neste país miserável, dando ênfase aos salários lá fora esquecendo-se que a felicidade vai para além de uns meros números monstruosos. Se no contrato de recrutamento para além de garantirem a viagem, casa e formação, garantissem que a minha família viria comigo já era outra conversa.
Por agora não emigro mas também não descarto essa hipótese. Vou provar que consigo emprego antes de dezembro só mesmo naquela para mandar à cara do bastonário.
Enquanto que a maior parte dos meus colegas quer encontrar um emprego estável e efetivo eu prefiro um contrato de 6 meses ou 1 ano. Dessa maneira consigo viajar e fazer missões. Lá para os 30 penso em efetividade.
E pronto, era isto que vos queria contar. A enfermagem em Portugal vai tão bem que na última semana de aulas todas as escolas convidam os seus alunos recém-licenciados a abandonar o país. Poderia ser para o nosso bem mas não, é só mesmo para baixar a taxa de desemprego na nossa área.
Sempre que me perguntam o que ando a fazer a resposta é esta "estou desempregada", não é motivo de tristeza, muito pelo contrário, é sinal que terminei a licenciatura. E estou feliz por isso.



Metade de uma turma desempregada