113º dia - Transplante de Medula Óssea

Tenho enfermeiras supervisoras excelentes e deram-me a oportunidade de ir a outro hospital de Florianópolis, o Hospital Celso Ramos, ver pela primeira vez um transplante de medula óssea!! À medida que o dia se aproximava maior era o entusiasmo. Sabia que o transplante de medula era mais simples do que se imagina mas o facto de ganhar experiência e conhecimentos é óptimo para mim.
Saí de casa às 6 horas da manhã para chegar a tempo do início do turno, às 7 horas. Primeiro que tudo, a enfermeira chefe e a restante equipa foram excepcionais comigo! Prontificaram-se em me deixar à vontade, mostraram prazer em me ensinar, são uma equipa divertida e com muito boa onda! Tenho a sorte de trabalhar aqui com profissionais de topo, tenho aprendido imenso!
Quanto ao transplante, este começou às 14 horas em ponto. Deixaram-me filmar todo o procedimento mas como é lógico não vou colocar aqui, nem posso.
Para desmitificar alguns mitos e medos:
O paciente está acordado em todo o processo e não sente qualquer dor não. O transplante de medula óssea não é um processo cirúrgico, é realizado através de um cateter venoso central como se fosse uma transfusão de sangue. É infundida a medula óssea na veia e durante o procedimento o paciente tem que estar todo monitorizado. Quem realiza este transplante é a enfermeira, mas o médico tem de estar presente no quarto. Neste caso o paciente recebeu 4 bolsas de medula óssea, que vêm congeladas dentro de uma arca. Antes de ser infundida, cada bolsa tem de ser confirmada com o médico, enfermeira e prontuário do paciente. A enfermeira dá a ordem para descongelar a primeira bolsa em "banho maria", e depois tem apenas 4 minutos para infundir cada bolsa. O técnico de enfermagem cronometra o tempo através de um cronómetro. 
Neste caso, a medula que foi infundida era do próprio paciente, que foi retirada uns meses antes. Após a retirada dessa medula o paciente fez um tratamento muito forte de quimioterapia com o objetivo de o deixar completamente imunossupremido (sem defesas) ao ponto de poder morrer se este transplante não for feito. Após o transplante da medula o paciente recupera a passos largos, livre de cancro e com mais anos de vida pela frente. No final do transplante a alegria foi total, palmas para ali e para aqui. O paciente radiava felicidade!

Apelo a todo o mundo, por favor! Doem sangue, doem medula! O que para nós pode ser uma dorzinha para o paciente é a diferença entre a vida e a morte.
Trabalhei aqui 4 meses na área oncológica, mais especificamente na área da hematologia (leucemias, linfomas e mielomas), cada paciente marcou-me de alguma forma. Estas pessoas rezam todos os dias para que surjam doadores compatíveis. Lutam para poderem ver o nascer do sol mais um dia. Não precisam de ser médicos, enfermeiros ou bombeiros para salvar vidas, basta serem humanos.
Este é o Guilherme e é meu paciente desde Março. Tem leucemia linfóide aguda e precisa da tua ajuda! Não só ele como muitos outros meus pacientes estão à espera que does sangue/medula e os salves. Eu vou doar mal chegue a Portugal, e tu? Do que estás à espera?