21 janeiro 2016

Drogados d'um catano

Já lá vai o tempo em que achava que amávamos com o coração. Lamento desiludir-vos mas o amor vem mesmo do cérebro, o coração mantém a básica função de fazer circular o sangue para nos manter vivos, por isso nunca morrerão de amor (NUNCA!).
Quando estamos apaixonados, uma explosão de neurotransmissores invade a corrente sanguínea, fazendo com que os amantes tenham sensações muito parecidas com as que teriam se experimentassem substâncias ilícitas (yes, amor=drogas).
A vocês, solteirões abandonados, vou ajudar-vos a ver o amor de outra forma dando-lhe uma lógica racional. No final vão limpar as lágrimas e pensar "fogo, esta gaja tem razão" e amanhã já estarão com a mão noutra bunda. Agradeçam-me depois.
Primeiro precisam de saber que os neurotransmissores dopamina, serotonina, oxitocina e endorfina formam o quarteto responsável pela nossa felicidade. Vamos focar-nos só na dopamina e serotonina. Sem dopamina o bastante podemo-nos sentir lentos, deprimidos e desinteressados pela vida. Serotonina flui quando nos sentimos importantes. Solidão e depressão aparecem quando a serotonina está ausente.

Então vamos por fases:
1- O início da paixão
Sabes quando sentes um friozinho na barriga depois de encontrar aquela pessoa especial? É nessa hora que a dopamina entra em ação. Esse neurotransmissor é o responsável por fazer o coração bater mais forte e aumentar a vontade de estar sempre por perto da pessoa amada. Os níveis de serotonina caem, o que aumenta o desejo sexual (pessoas com níveis de serotonina elevados têm dificuldade em atingir o orgasmo).

2- Uma relação estável
Com o passar do tempo, a tendência é que o casal se torne menos obcecado um pelo outro. O corpo passa a produzir menos dopamina (adeus friozinho na barriga) e mais serotonina (adeus sexo), o que ajuda a desenvolver uma ligação menos dependente e mais confiante que prepara os casais para relacionamentos duráveis (ou exatamente o contrário).

3- Muitos anos depois
Quanto mais um relacionamento dura, menos dopamina é liberada no organismo. Mas isso não significa que o vínculo entre as pessoas se está a perder. Na verdade, uma molécula chamada fator de liberação de corticotrofina ajuda a manter os casais unidos. Isso porque ela é liberada sempre que o casal está separado, causando uma sensação desconfortável que faz com que as pessoas sintam falta uma da outra (por isso, quando não encontrarem essa molécula, separem-se que ela aparece).

4- Desilusões
Quando uma das pessoas é "abandonada", (quase sempre) entra num período depressivo de não-aceitação, chora por vários dias e noites, perde o apetite e o sono, questiona vários porquês e fica imaginando todos os momentos clichês juntos (verdade, certo?). Isso tudo acontece porque o corpo deixa de produzir de forma drástica a famosa dopamina. Basicamente entram em abstinência e tal como disse inicialmente "amor=droga", como qualquer droga há sempre um período crítico até o corpo aprender a (sobre)viver sem ela. 

Resumindo e teoricamente falando, vocês não sentem falta da outra pessoa nem dos momentos clichês, vocês sentem falta da dita droga, da dopamina!! Entendem agora seus drogados? Básico. Vocês não estão viciados na pessoa, estão viciados na dopamina! Não é a outra pessoa que vos faz feliz, é a do-pa-mi-na!

Como elevar os níveis de dopamina? Comer alimentos favoritos, fazer exercício físico, transar muito, dormir e atingir objetivos pessoais/profissionais. Alguns médicos recomendam Vitamina B6 e L-Fenilalanina para elevar os níveis de dopamina no cérebro. Consegues qualquer um desses medicamentos na farmácia local. Ainda assim, deves definitivamente falar com o médico antes de tomar qualquer atitude!


PS: Lembrem-se agora de ir dizer aos vossos pais e avós que são drogados e estão viciados em dopamina, era giro.

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