16 novembro 2015

Turbilhão de sentimentos

Vivo a um passo da praia portanto folga para mim nunca será sinónimo de pijama, sofá, mantas e filmes. Aproveitei o meu domingo para passear sozinha pela costa de Sintra, já adicionei mais três praias à minha lista. 
Tenho um carinho especial por praias e pelo pôr-do-sol, de preferência acompanhada de mim própria e uma garrafa de vinho. Gosto de estar só e isso nunca será incomodativo. Gosto de conduzir sozinha, cheirar o mar e sentir a brisa enquanto oiço música. Gosto de invadir uma praia deserta, sentar na areia, admirar a natureza e contemplar o horizonte imaginando quem estará do outro lado. Gosto de mergulhar nua, despida de medos e preconceitos. Afogar mágoas e paixões. Estes momentos recordam-me o Brasil, trazem-me um turbilhão de sentimentos, nostalgia e muita saudade. Não o faço apenas por prazer mas também por necessidade, é como um "recarregar baterias".
Gosto de estar no silêncio longe de tudo e todos. Gosto de me encontrar comigo mesma, na verdade já tinha saudades minhas. Gosto de observar o pôr-do-sol, sem pestanejar uma única vez. Gosto de fazer a conjugação das cores do céu para poder encontrar a melhor perspectiva de fotografá-lo. Gosto da companhia que o mar me faz. Gosto de enumerar os motivos pelos quais sou feliz e os quais me poderiam fazer mais feliz ainda... Gosto de remexer no baú das recordações e refletir sobre todos os pontos reais e irreais. Gosto de relembrar velhas memórias mas também de sonhar, improvisar e questionar vários "ses". Desabafo e sorrio para o mar enquanto lágrimas escorrem. Deixo marca na areia, despeço-me de mim e regresso ao mundo, sem ti.


"Notas sobre ela:
Ela ama fotografia
pois ela ama a ideia
de paralisar o tempo.
Para ela o amor
é a vida fotografando
a gente."
Zack Magiezi


PRAIA DAS MAÇÃS


PRAIA GRANDE DO RODÍZIO





PRAIA DA ADRAGA
(A minha favorita das três, com direito a um cavaleiro andante, embora desconhecido fiz dele príncipe)







07 novembro 2015

Arrisca e viaja!

Sempre sonhei em dar a volta ao mundo, se não o posso fazê-lo de uma vez que seja por partes. Agora que estou por minha conta ninguém me impedirá de passar o próximo fim de semana em Roma, por exemplo. Provavelmente gastaria o mesmo se passasse uma tarde no shopping. O que vale mais? Segue então os 5 motivos em baixo descritos por James Wallman.

«O dinheiro é curto, os compromissos são muitos e vais sempre deparar-te com o dilema: guardar dinheiro para comprar este ou aquele bem material, ou gastar o dinheiro com uma grande viagem nas próximas férias.
Bom, o termo ‘gastar’ não deveria ser usado acima. Não na concepção do psicólogo Thomas Gilovich, que estudou sobre o assunto e comprovou que viajar traz mais felicidade do que adquirir bens materiais. Segundo ele, as experiências individuais que temos quando viajamos ultrapassa, de sobra, as coisas que compramos ou adquirimos. Ele defende tanto o tema que escreveu 5 razões pelas quais viajar é bem melhor que ter bens materiais.

És daqueles que fazem muitas colecções, tem uma estante cheia de livros que nunca leu ou compra um monte de coisas que não vai usar? Que tal reveres os teus conceitos e colocares o pé na estrada?

1. É muito difícil comparar viagens, ao contrário de coisas.
Com os bens materiais tu cansas-te das coisas rapidamente, enquanto que, com as viagens, elas enriquecem sempre as tuas experiências e abrem a tua mente. O grande exemplo é quando adquires um carro. Pesquisas e compras em milhares de prestações o modelo perfeito para ti. No começo, ficas empolgado, queres mostrar para todo o mundo e queres utilizar todos os recursos. Alguns meses depois a animação baixa. Seis meses é apenas um meio de transporte. Um ano, já queres trocá-lo por um modelo mais novo ou porque o teu vizinho comprou um mais potente.

Já uma viagem é diferente. Nenhuma é igual a outra e mesmo que tenhas passado as férias no Algarve e o teu colega nos Estados Unidos, o facto da viagem dele custar mais não significa que ficaste menos feliz ou que não te tenhas divertido tanto.


2. Viajar aproxima mais as pessoas e os casais, as coisas nem sempre.
Podes viajar sozinho, conhecer e te relacionares com muita gente. Podes fazer uma viagem com o teu parceiro, depois de um momento de crise, e a fuga da rotina pode apagar as brigas e aproximar o casal. Uma viagem familiar ou com um parente pode ser inesquecível e fantástica, com lembranças para o resto da vida.
Adquirir coisas nem sempre aproxima pessoas. E, mesmo quando aproximar, não vais ter a certeza se é por ti ou pelo objeto que as pessoas se estão a aproximar de ti.


3. Viajar abre a tua mente e muda a tua concepção do mundo.
Trabalhas há 10 anos na mesma empresa, pensas da mesma forma e não consegues ampliar teus horizontes? Que tal fazeres uma viagem? Ela vai oferecer-te contato com novas e diferentes culturas e línguas, experiências de vida, olhares que tu jamais terias conhecido na tua rotina stressante.
As coisas não te oferecem a mesma experiência. Até mesmo um livro, torna-se menor do que a vivência de estar no lugar e conhecer de perto aquela cultura.


4. A experiência de uma viagem fica para sempre, a compra de um bem torna-se obsoleto.
Podes ter ido à Disney com os teus pais com 12 anos, mas vais lembrar-te daquela viagem com uma riqueza de detalhes e alegria sempre que tocarem no assunto. Aquela almofada quadrado que compraste em 98, ou aquela compra de roupas no verão passado não trarão as mesmas alegrias e entusiasmos nos dias de hoje.
Duas pesquisas comprovam isto. Uma mostra que falar sobre experiências te faz mais feliz do que falar sobre bens materiais. Outro estudo aponta que preferimos ouvir pessoas que falam sobre experiências que tiveram em vez de objectos ou coisas que adquiriram.


5. Aprendes a cultivar o desapego em relação ao que não precisas na tua vida.
Se estás a passar por momentos difíceis, ou queres sair da rotina, a viagem pode ser um ótimo remédio. Nas mesmas situações, resolver com uma compra nos shoppings só vai deixar-te frustrado instantes depois, além de muito mais pobre.
Viagens ajudam-te a libertares-te de rotina, de vícios e relacionamentos acomodados. Além disso, tu aprendes a desapegar-te das coisas e a conviver somente com o necessário.
Todas essas experiências vão formando a tua identidade de forma a que depois de viajar tu já não és a mesma pessoa.»

03 novembro 2015

Hello Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca

Sempre disse que quando terminasse a universidade iria aproveitar o verão para descansar. Após 16 anos a estudar qualquer um de nós merece! Foram várias as vezes que me avisaram de que estava a perder oportunidades. Nunca me importei, sabia que iria ter a oportunidade certa na altura certa. E assim foi. Após aproveitar os últimos 3 meses de férias de verão da minha vida, comecei a procurar emprego em setembro e mesmo assim ainda não me sentia pronta (foi só para deixar de ouvir os meus pais). Foram exatamente 2 meses - não digo de "procura" porque não procurei, deixei as oportunidades virem até mim. Apenas enviei currículos para locais onde gostaria de trabalhar, não andei numa de desesperada a enviar para tudo o que era canto redondo. Enviei maioritariamente para hospitais e meia dúzia de unidades.
O inesperado aconteceu. Fui convidada para uma entrevista no Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, mais conhecido por Hospital Amadora-Sintra. Perdi a esperança quando vi a lista interminável de pessoas... Sou pessimista, sempre acho que qualquer pessoa é melhor que eu, no entanto acabei por ser seleccionada ainda na entrevista, mas só me apercebi quando saí - quem me conhece sabe o quanto sou meio aérea - claro que explodi de emoção, só tinha vontade de voltar ao gabinete, abraçar o Enf. Diretor e pedir desculpa pela minha falta de sensibilidade pela oportunidade dada. No dia seguinte fui assinar a papelada e comecei esta semana no serviço de internamento de Ortopedia. Foi tudo muito rápido e ainda mal acredito.
Ter definitivamente um cartão onde diz Enfermeira ao invés de Aluna de Enfermagem até lhe dá gosto fotografar diariamente. Ainda tenho por hábito tratar os enfermeiros por você e a palavra "Enfermeiro" antecede sempre o nome da pessoa, com calma irei lá. Chamarem-me de colega é qualquer coisa de... estranho. Sinto o peso da responsabilidade a triplicar e no fundo sabe tão bem!
Ahh a melhor parte de todas e aquela que eu sempre achei piada: "picar o ponto". Tantas vezes ouvi "tenho de ir picar o ponto" ou "ah esqueci de picar o ponto". Ver o enfermeiro chegar e passar a impressão digital na maquineta para registar as entradas e saídas dos turnos era algo que tanto ansiava fazer que todos os dias (quase) me esqueço! Quando a maquineta identificou a minha impressão digital e apareceu o meu nome até me vieram as lágrimas aos olhos... (não exageremos). Ela será a minha rival contra o tempo.