25 julho 2015

Nostalgia

Os que já me disseram que têm saudades do blog têm que compreender que eu tenho saudades de Floripa, e isso não tem sido fácil de lidar. Tenho tendência a comparar tudo e todos com o que vivi do outro lado do oceano. Quando paro numa passadeira olho para o relógio a contar o tempo que um carro demorará a parar e quando vejo que o primeiro carro pára imediatamente até estranho! Que raio! Se alguém se veste toda chique é logo "no Brasil eras assaltada e violada". Se compro algo mais caro que o normal "no Brasil era apenas 10 reais", "ah no Brasil fazíamos assim e assado", "no Brasil isto e aquilo". E ainda deixo escapar algumas expressões brasileiras, tenho saudades de bater um papo num bom sotaque brasileiro. 
Tive em Lisboa, precisei de ajuda e quando perguntei ao homem do quiosque onde ficava uma determinada rua ele apontou sem falar ou olhar para mim, se fosse em Floripa perguntavam-me o nome, sorriam, diziam bom dia e acompanhavam-me à rua. Outra: andei à porrada com o aparelho do metro porque não aceitava o cartão, quando o segurança se dirigiu a mim a perguntar se precisava de ajuda é que reparei que estava a tentar passar com o cartão de transportes de Floripa. Fechei os olhos, inspirei "acorda Verónica, estás em Portugal!!" e que dor forte no peito. Não me consigo conformar. Todos os meus sonhos giram à volta do Brasil. Antes de adormecer costumo ouvir música, há algumas noites atrás calhou ouvir músicas que ouvia enquanto lá estava, comecei a recordar o primeiro dia, a primeira noite, o primeiro dia de estágio, a primeira festa, a primeira carona, as primeiras amizades, as primeiras praias, os primeiros pôr-do-sol... envolvi-me numa nostalgia de tal tamanho ao ponto de me escorrerem lágrimas e acordá-lo com os soluços. Lá ele teve que me aconchegar e prometer que um dia eu voltaria. 
Há coisas das quais não me consigo desprender e esta é uma delas. Ando sempre com dois colares e uma pulseira que trouxe de lá, bebo guaraná todos os dias, revejo fotografias vezes sem conta, trouxe areia e conchas da minha praia favorita e atrevo-me a cheirá-la todos os dias. Ando sempre vestida como se estivesse ainda no Brasil, até a um sábado à noite arrisco nuns calções, top de renda e havaianas. 
Ando descalça quando posso e observo o céu todas as noites... um dia vou voltar, um dia.


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