03 junho 2015

92º dia - Até já meu amor

Ele foi embora. Partiu no primeiro voo rumo a Lisboa. Nunca pensei que me fosse custar deixá-lo partir, afinal de contas se aguentámos três meses aguentamos mais um. Custou-me mais deixá-lo ir do que quando parti de Lisboa. Armei-me em forte mas o que ele não sabe é que na noite anterior chorei baixinho para não o acordar. Ele não sabe. No aeroporto, na altura de o largar fiz mil caretas para as lágrimas não escorrerem, tentei lembrar mil motivos que me fizessem odiá-lo para não chorar mas aí cheguei à conclusão que não há nada nele que eu não goste. Ele abraçou-me. E eu chorei. Não deu, é mais forte que eu. Não fiquei a olhar à espera que ele desaparecesse ao fundo do corredor, virei rapidamente as costas e meti-me a caminho de mais um turno no hospital. Chorei a viagem de ônibus inteira, ele não sabe. Simplesmente habituei-me à presença dele no ônibus, na rua, no café, na praia, na minha casa... E quando cheguei ao quarto? Senti-o mais vazio que nunca, mais ainda do que estava antes dele chegar. Doeu. Estas últimas semanas aqui no Brasil vão ser duras devido aos três relatórios finais de estágio e de curso que tenho para fazer, talvez por isso esteja mais frágil, talvez não. A verdade é que ele faz-me falta e odeio-me por isso. Não sou dependente dele mas o meu coração está viciado.

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