22 junho 2015

117º dia - Adeus Floripa

Chegou o dia. Chegou a hora de pegar nas malas e voltar para casa. Parece que estive fora apenas 2 ou 3 semanas. Lembro-me perfeitamente do momento que fiz as malas para vir e agora já estou de volta. Como? O tempo passou rápido demais. Voltaria atrás e viveria tudo de novo. Aquela ansiedade de há 4 meses transformou-se em agonia, o coração não está a bater tão rápido agora. Perdoem-me, ainda não tenho saudades de Portugal, ainda. A questão é "onde eu pertenço afinal?". Tenho medo de regressar à monotonia da vida que levava em Portugal, tenho medo de não me readaptar. Estes últimos meses foram os melhores da minha vida e nada apagará isso.
Aos novos intercambistas portugueses que já estão a acompanhar o blog, fixem isto: deixem os receios em Portugal, não precisam disso aqui. A ilha é mágica e as pessoas são adoráveis. Aproveitem cada momento, acordem cedo e vão ver o nascer do sol à praia sempre que puderem. Vão viver a melhor experiência da vossa vida! Prometo-vos.

Obrigado Floripa por ter sido tão bem recebida, tão bem cuidada. Obrigada pelo abrigo e porto seguro. Obrigada pelo crescimento que me proporcionaste em todos os níveis. Obrigada pelas melhores praias, trilhas e amigos. Obrigada a quem me estendeu a mão e me acolheu como se pertencesse ao país. Obrigada pela oportunidade de viver a maior e melhor experiência da minha vida. Eu volto, eu prometo. E está provado, o que eu prometo eu cumpro.
O Adeus foi silencioso e doloroso. O caminho até ao aeroporto fez-me recordar o primeiro caminho, no primeiro dia. No momento da descolagem, ver a minha ilha de cima, iluminada e tão bonita... Eternamente apaixonada por ti Floripa. Não consegui conter as lágrimas. Não me consigo conformar com a minha partida. Eu quero ficar, deixem-me ficar...
Tento focar-me nas coisas positivas, afinal de contas vou voltar a abraçar os meus pais, a minha família, amigos e namorado. Matarei saudades deles, da cidade, da comida da mãe, do cheiro da casa... mas aí vai bater uma forte saudade de Floripa, da alegria do país, do meu quarto, do cão que me esperava todos os dias no início da rua, das minhas colegas, do hospital, dos meus pacientes, das praias paradisíacas, das trilhas, dos amigos, do pão de queijo, do açaí, da tapioca e água de côco... nessas alturas vou precisar de estar sozinha em frente ao mar com a certeza de que Floripa está só ali do outro lado do oceano.

Não deixei nada além de pegadas, não matei nada a não ser o tempo e não levo nada além de fotografias. Até um dia Floripa.
É com este post, dentro do avião de regresso, entre lágrimas, que passo a última página do livro.
Foi um prazer galera.

FIM

video


Sem comentários:

Enviar um comentário