08 maio 2015

69º dia - Mais SER e menos TER

Hoje foi dia de plantão no hospital, das 7h às 19h. Começo a habituar-me a esta rotina, começo a ficar preocupada com a despedida desta vida. Tenho o leve pressentimento que vou chegar a Portugal revoltada com tudo e todos, desejar voltar e ficar por aqui. Não me interpretem mal, mas sou mais feliz aqui. Tenho orgulho em ser portuguesa mas não tenho orgulho quando me questionam sobre as condições socioeconómicas do meu país. Preocupa-me o facto de ir para aí trabalhar cerca de 40 horas semanais, fazer turnos noturnos e ganhar um salário miserável. Jamais conseguirei comprar uma casa, um carro e ter filhos sem a ajuda dos meus pais. Quando conto isto aos brasileiros eles ficam boquiabertos, pois sempre acham que Portugal é um país no topo da tabela. O problema no nosso país é que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Não lutam pelo equilíbrio, pela estabilidade. Para além disso a maior parte dos portugueses são consumistas, precisam de TER para atingirem a felicidade. Não compreendem que basta SER para serem felizes. O que me tranquiliza é isso, eu sei que tenho o SER, o TER será sempre o básico para sobreviver, como ter as pessoas mais importantes junto de mim. Não preciso de uma grande casa nem de um carro em primeira mão. Apenas gostava de ter o meu espaço e ter algo com que me deslocar até ao emprego. Essa é outra... a partir de julho vou passar a contar os dias que estarei desempregada. Com muita sorte encontro algo lá para o Natal. Se não encontrar emprego em 6 meses emigro. Isto está decidido há muito tempo.

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