31 dezembro 2015

Happy old year, 2015

Fui invadida pela nostalgia. Normalmente vocês ficam felizes pela chegada do novo ano, por virarem a última página do livro e deixarem todas as coisas negativas para trás. Eu não, não quero virar a última página, eu quero manter-me em 2015, aliás, eu quero que 2015 comece de novo, que tudo se repita. Eu não irei festejar a chegada de 2016 mas sim o fim de 2015. Foi o melhor ano da minha vida em todos os níveis.
Numa breve reflexão, este ano tive a oportunidade de viver 4 meses na América do Sul, explorar cada cantinho e abrir os meus horizontes. A Foz do Iguaçú foi o lugar mais incrível que visitei na minha vida, deixei lá uma promessa e voltarei para reforçá-la. 
Ainda este ano terminei a minha licenciatura e embarquei na aventura do primeiro emprego pela capital. 
Fiz novos amigos, reencontrei e reforcei amizades. O Brasil ensinou-me a olhar para as pessoas e para o mundo de uma maneira diferente, mais intensa e menos ingénua. 
Quanto aos meus objetivos para 2016, não consigo acreditar que algum deles vá ultrapassar toda a felicidade que 2015 me deu, incluindo os erros que eu voltaria a cometer. Não vejo maneira de 2016 superar todas as expectativas que tinha há um ano atrás para 2015. Por isso o meu único objetivo será superar-me a mim própria, viajar e ser feliz, independentemente do que aconteça.
Não, o segredo não está em juntar as mãos, olhar para cima e pedir a 2016 para trazer concretizações, novidades ou memórias positivas. O segredo está em pegares num papel e tu próprio lutares para colocares cada ponto em prática. Ninguém vai lutar pelos teus objetivos se não tu mesmo. Todos os objetivos que delineei para 2015, tratei deles em 2014 contra a vontade de tudo e todos. Daí ter sido um ano repleto de vitórias! Este ano apenas sei que será um ano mais pequenino mas de grandes mudanças na minha vida.
Feliz ano novo para todos os meus amigos! Para os meus colegas que irão passar a virada do ano a trabalhar, desejo-vos um turno calmo e um ano novo excelente por todo o bem que fazem!
Espremam o vosso coração, deitem toda a bondade cá para fora e sejam felizes. Não desistam dos sonhos, das pessoas, dos momentos, muito menos de vocês mesmos. Vocês são tudo o que têm!

Os meus objetivos para 2016 estão todos registados neste mapa de raspar.

20 dezembro 2015

"O último abraço que me dás"

Senti-me no dever de partilhar esta fantástica reflexão do escritor António Lobo Antunes. 

"Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele.

O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me:

- Abrace-me porque é o último abraço que me dá.

durante o abraço:

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento.

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.
Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar.

e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.

A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido:

- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento.

porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.

O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:

- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.

Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.

Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos.»


Excelente!

19 dezembro 2015

Natal? Não, estou vazia, obrigada.

Sou sacrificada por não gostar do Natal, por não ter qualquer enfeite de Natal na minha casa e por fugir à zona das decorações nos hipermercados. Tentam explicar-me que o Natal é um ritual de família e de reencontro, de união e comunhão, de amor, de «ninho», que é isso que torna a época feliz e especial. Ok! Mas são estas mesmas razões que tornam um dos momentos mais difíceis do ano para mim! Basta que o «ninho» não exista ou esteja vazio. É tão complicado assim? Todos os anos tenho menos um ou dois pratos na mesa. Vou festejar o quê? Para a minha família é uma época de luto. A solidão e a perda de alguém importante deixam-me os sentimentos à flor da pele e fazer daquele que é, para muitos, o período mais alegre do ano, um conjunto de dias que só quero que passem depressa! 
Ver as páginas das revistas e os anúncios na televisão a encherem-se de famílias felizes debaixo do pinheiro e os amigos a extravasarem todo o entusiasmo com a perspetiva da reunião familiar, toda a felicidade dos outros parece servir apenas para que alguns recordem (ainda) mais o que está em falta nas suas vidas! Durante o resto do ano, tudo isto é mais fácil de ignorar. 
Este ano, pela primeira vez, vou passar o Natal sozinha, longe de casa e da família. Vou passá-lo a trabalhar e ainda assim estou satisfeita. É o trabalho que me faz (quase) esquecer esta época (não fosse a maldita árvore no meio do serviço). Um dia de folga nesta altura para mim é um sacrifício, deprimo e conto as horas que faltam para entrar. Preciso de estar distraída e cuidar dos meus é a melhor forma que encontro para ultrapassar esta fase, no fundo acho que o Natal também é isto. 
Tenho imensos doentes idosos que nunca ou raramente têm visitas, que irão passar o Natal sozinhos como um dia igual aos outros. Já que as famílias não têm o mínimo de dignidade eu responsabilizo-me para tornar o Natal deles um pouco especial, não se preocupem, deixem-se estar à braseira. A solidão e a saudade reflectem-se nas rugas e nas expressões vazias.

Christmas blues, o que é?
"Os dados que existem sobre o Christmas blues, essa tristeza sazonal por altura do Natal, são vagos e pouco certos, sobretudo porque o sentimento não está propriamente catalogado como uma patologia mental. Os dados do National Institute of Health, nos Estados Unidos da América, apontam o Natal como o período do ano no qual há uma incidência maior de depressão. Mas esta tristeza de Natal, apesar de ter sintomas idênticos, não significa necessariamente um quadro depressivo. «O Christmas blues é habitualmente passageiro e não tende a evoluir para um quadro clínico de depressão. Passada a época festiva, e com o retomar das rotinas habituais, os sentimentos de tristeza tendem a desvanecer‑se e a reemitir naturalmente», esclarece o psicólogo João Parente." 

Soluções:
Se o problema é a solidão, vamos rodear‑nos de outras pessoas da comunidade: vizinhos, instituições de apoio ou mesmo alguém que também esteja isolado, de forma a que possamos acompanhar‑nos mutuamente. Uma excelente opção é fazer voluntariado na noite e no Dia de Natal.

Para quem tem por hábito acrescentar pratos na noite de Natal, desejo uma noite recheada de prendas e amor. Para quem, como eu, tem mais lugares vazios, aninhem-se a mim e encham um copo de vinho. Um brinde de saudade aos que já partiram e aos que estão sós*


07 dezembro 2015

Desabafos de segundas-feiras

Estou a ter demasiada sorte na vida. Dias simpáticos não me inspiram confiança.
Mudei de cidade para embarcar na aventura do novo emprego. Estou a trabalhar no primeiro hospital português acreditado pela King's Fund, num serviço excelente. Tenho uma casa nova e parece que foi feita para mim. Assim que li a parte do "T1 novo com 1 closet, ao lado do fórum Sintra" travei e aceitei a proposta sem pensar muito na coisa. Sempre quis um closet com espelho do teto ao chão. Para além disso tenho uma vista maravilhosa do quarto. E quem não desejaria viver ao lado de um fórum? Não sei se foi sorte ou azar receber o primeiro ordenado na exacta semana do Black Friday! Estão a imaginar a minha conta agora? Quem disse "quando trabalhamos para ganhar o próprio dinheiro já custa mais a gastar" disse tudo da boca para fora! Sacanagem. Estou finalmente num ginásio por minha conta, aderi à moda da depilação a laser, decorei uma casa à minha maneira, e umas outras coisas que sempre desejei ter/fazer.

No entanto... não me sinto totalmente satisfeita. Sou feliz mas não estou feliz. Detesto rotinas, temo não ter tempo para cumprir vários objetivos da minha vida. Por norma as pessoas chegam a esta fase e querem "assentar", eu não. Eu farto-me facilmente das coisas, das pessoas fugazes. Eu tenho tantas coisas definidas como prioritárias antes de me juntar, casar ou ter filhos. Não serei menos mulher por isso. Fui educada para ser independente, exigente e persistente. Faz parte da minha maneira de ser, não sou a favor da vida tradicional, de nos deixarmos guiar pelos objetivos de alguém. Não sou a favor de limites e talvez por isso nunca esteja satisfeita com nada. Gosto da extravagância, de correr riscos, de ser castigada e ser feliz por isso. 
Poderia não ter nada mas também poderia ter mais, e é nisso que me foco.  O melhor que poderia acontecer neste momento seria regressar para o meu cantinho no Brasil. Viajar a partir de lá, fazer voluntariado e deixar a minha alma consumir esses momentos. Eu quero, eu preciso disso. Não disto, desta monotonia, desta felicidade pobre e desfocada. Preciso de estar com pessoas loucas como eu, que não temam ultrapassar os limites, que reconheçam que a vida é curta demais para nos deixarmos "assentar". Preciso de pessoas fiéis a si mesmas, pessoas de atitudes e não de palavras. Pessoas que saiam da zona de conforto e arrisquem tudo porque sim, porque lhes apetece, com a certeza de que tudo valerá a pena. Pessoas de almas cheias e de sorrisos sinceros. É tão raro assim?



16 novembro 2015

Turbilhão de sentimentos

Vivo a um passo da praia portanto folga para mim nunca será sinónimo de pijama, sofá, mantas e filmes. Aproveitei o meu domingo para passear sozinha pela costa de Sintra, já adicionei mais três praias à minha lista. 
Tenho um carinho especial por praias e pelo pôr-do-sol, de preferência acompanhada de mim própria e uma garrafa de vinho. Gosto de estar só e isso nunca será incomodativo. Gosto de conduzir sozinha, cheirar o mar e sentir a brisa enquanto oiço música. Gosto de invadir uma praia deserta, sentar na areia, admirar a natureza e contemplar o horizonte imaginando quem estará do outro lado. Gosto de mergulhar nua, despida de medos e preconceitos. Afogar mágoas e paixões. Estes momentos recordam-me o Brasil, trazem-me um turbilhão de sentimentos, nostalgia e muita saudade. Não o faço apenas por prazer mas também por necessidade, é como um "recarregar baterias".
Gosto de estar no silêncio longe de tudo e todos. Gosto de me encontrar comigo mesma, na verdade já tinha saudades minhas. Gosto de observar o pôr-do-sol, sem pestanejar uma única vez. Gosto de fazer a conjugação das cores do céu para poder encontrar a melhor perspectiva de fotografá-lo. Gosto da companhia que o mar me faz. Gosto de enumerar os motivos pelos quais sou feliz e os quais me poderiam fazer mais feliz ainda... Gosto de remexer no baú das recordações e refletir sobre todos os pontos reais e irreais. Gosto de relembrar velhas memórias mas também de sonhar, improvisar e questionar vários "ses". Desabafo e sorrio para o mar enquanto lágrimas escorrem. Deixo marca na areia, despeço-me de mim e regresso ao mundo, sem ti.


"Notas sobre ela:
Ela ama fotografia
pois ela ama a ideia
de paralisar o tempo.
Para ela o amor
é a vida fotografando
a gente."
Zack Magiezi


PRAIA DAS MAÇÃS


PRAIA GRANDE DO RODÍZIO





PRAIA DA ADRAGA
(A minha favorita das três, com direito a um cavaleiro andante, embora desconhecido fiz dele príncipe)







07 novembro 2015

Arrisca e viaja!

Sempre sonhei em dar a volta ao mundo, se não o posso fazê-lo de uma vez que seja por partes. Agora que estou por minha conta ninguém me impedirá de passar o próximo fim de semana em Roma, por exemplo. Provavelmente gastaria o mesmo se passasse uma tarde no shopping. O que vale mais? Segue então os 5 motivos em baixo descritos por James Wallman.

«O dinheiro é curto, os compromissos são muitos e vais sempre deparar-te com o dilema: guardar dinheiro para comprar este ou aquele bem material, ou gastar o dinheiro com uma grande viagem nas próximas férias.
Bom, o termo ‘gastar’ não deveria ser usado acima. Não na concepção do psicólogo Thomas Gilovich, que estudou sobre o assunto e comprovou que viajar traz mais felicidade do que adquirir bens materiais. Segundo ele, as experiências individuais que temos quando viajamos ultrapassa, de sobra, as coisas que compramos ou adquirimos. Ele defende tanto o tema que escreveu 5 razões pelas quais viajar é bem melhor que ter bens materiais.

És daqueles que fazem muitas colecções, tem uma estante cheia de livros que nunca leu ou compra um monte de coisas que não vai usar? Que tal reveres os teus conceitos e colocares o pé na estrada?

1. É muito difícil comparar viagens, ao contrário de coisas.
Com os bens materiais tu cansas-te das coisas rapidamente, enquanto que, com as viagens, elas enriquecem sempre as tuas experiências e abrem a tua mente. O grande exemplo é quando adquires um carro. Pesquisas e compras em milhares de prestações o modelo perfeito para ti. No começo, ficas empolgado, queres mostrar para todo o mundo e queres utilizar todos os recursos. Alguns meses depois a animação baixa. Seis meses é apenas um meio de transporte. Um ano, já queres trocá-lo por um modelo mais novo ou porque o teu vizinho comprou um mais potente.

Já uma viagem é diferente. Nenhuma é igual a outra e mesmo que tenhas passado as férias no Algarve e o teu colega nos Estados Unidos, o facto da viagem dele custar mais não significa que ficaste menos feliz ou que não te tenhas divertido tanto.


2. Viajar aproxima mais as pessoas e os casais, as coisas nem sempre.
Podes viajar sozinho, conhecer e te relacionares com muita gente. Podes fazer uma viagem com o teu parceiro, depois de um momento de crise, e a fuga da rotina pode apagar as brigas e aproximar o casal. Uma viagem familiar ou com um parente pode ser inesquecível e fantástica, com lembranças para o resto da vida.
Adquirir coisas nem sempre aproxima pessoas. E, mesmo quando aproximar, não vais ter a certeza se é por ti ou pelo objeto que as pessoas se estão a aproximar de ti.


3. Viajar abre a tua mente e muda a tua concepção do mundo.
Trabalhas há 10 anos na mesma empresa, pensas da mesma forma e não consegues ampliar teus horizontes? Que tal fazeres uma viagem? Ela vai oferecer-te contato com novas e diferentes culturas e línguas, experiências de vida, olhares que tu jamais terias conhecido na tua rotina stressante.
As coisas não te oferecem a mesma experiência. Até mesmo um livro, torna-se menor do que a vivência de estar no lugar e conhecer de perto aquela cultura.


4. A experiência de uma viagem fica para sempre, a compra de um bem torna-se obsoleto.
Podes ter ido à Disney com os teus pais com 12 anos, mas vais lembrar-te daquela viagem com uma riqueza de detalhes e alegria sempre que tocarem no assunto. Aquela almofada quadrado que compraste em 98, ou aquela compra de roupas no verão passado não trarão as mesmas alegrias e entusiasmos nos dias de hoje.
Duas pesquisas comprovam isto. Uma mostra que falar sobre experiências te faz mais feliz do que falar sobre bens materiais. Outro estudo aponta que preferimos ouvir pessoas que falam sobre experiências que tiveram em vez de objectos ou coisas que adquiriram.


5. Aprendes a cultivar o desapego em relação ao que não precisas na tua vida.
Se estás a passar por momentos difíceis, ou queres sair da rotina, a viagem pode ser um ótimo remédio. Nas mesmas situações, resolver com uma compra nos shoppings só vai deixar-te frustrado instantes depois, além de muito mais pobre.
Viagens ajudam-te a libertares-te de rotina, de vícios e relacionamentos acomodados. Além disso, tu aprendes a desapegar-te das coisas e a conviver somente com o necessário.
Todas essas experiências vão formando a tua identidade de forma a que depois de viajar tu já não és a mesma pessoa.»

03 novembro 2015

Hello Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca

Sempre disse que quando terminasse a universidade iria aproveitar o verão para descansar. Após 16 anos a estudar qualquer um de nós merece! Foram várias as vezes que me avisaram de que estava a perder oportunidades. Nunca me importei, sabia que iria ter a oportunidade certa na altura certa. E assim foi. Após aproveitar os últimos 3 meses de férias de verão da minha vida, comecei a procurar emprego em setembro e mesmo assim ainda não me sentia pronta (foi só para deixar de ouvir os meus pais). Foram exatamente 2 meses - não digo de "procura" porque não procurei, deixei as oportunidades virem até mim. Apenas enviei currículos para locais onde gostaria de trabalhar, não andei numa de desesperada a enviar para tudo o que era canto redondo. Enviei maioritariamente para hospitais e meia dúzia de unidades.
O inesperado aconteceu. Fui convidada para uma entrevista no Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, mais conhecido por Hospital Amadora-Sintra. Perdi a esperança quando vi a lista interminável de pessoas... Sou pessimista, sempre acho que qualquer pessoa é melhor que eu, no entanto acabei por ser seleccionada ainda na entrevista, mas só me apercebi quando saí - quem me conhece sabe o quanto sou meio aérea - claro que explodi de emoção, só tinha vontade de voltar ao gabinete, abraçar o Enf. Diretor e pedir desculpa pela minha falta de sensibilidade pela oportunidade dada. No dia seguinte fui assinar a papelada e comecei esta semana no serviço de internamento de Ortopedia. Foi tudo muito rápido e ainda mal acredito.
Ter definitivamente um cartão onde diz Enfermeira ao invés de Aluna de Enfermagem até lhe dá gosto fotografar diariamente. Ainda tenho por hábito tratar os enfermeiros por você e a palavra "Enfermeiro" antecede sempre o nome da pessoa, com calma irei lá. Chamarem-me de colega é qualquer coisa de... estranho. Sinto o peso da responsabilidade a triplicar e no fundo sabe tão bem!
Ahh a melhor parte de todas e aquela que eu sempre achei piada: "picar o ponto". Tantas vezes ouvi "tenho de ir picar o ponto" ou "ah esqueci de picar o ponto". Ver o enfermeiro chegar e passar a impressão digital na maquineta para registar as entradas e saídas dos turnos era algo que tanto ansiava fazer que todos os dias (quase) me esqueço! Quando a maquineta identificou a minha impressão digital e apareceu o meu nome até me vieram as lágrimas aos olhos... (não exageremos). Ela será a minha rival contra o tempo.

29 outubro 2015

Porto

Decidi partir em direcção ao Porto sem planos. Enquanto estive no Brasil perdi a conta das vezes que me perguntaram como era o Porto e era vergonhoso não saber responder. Um terço dos brasileiros que conheci já tinham ido ao Porto... e eu não portanto. Parti sábado às 6h da manhã e quando lá cheguei é que procurei por um quarto. Assim como gosto, sem planos e barato.
Quanto aos pontos turísticos, consegui ver (quase) tudo o que havia para ver (o quase é uma desculpa para lá voltar). A primeira coisa que fiz foi provar a mítica francesinha! Rendi-me sim e agora já ia outra.
Aproveitei para passear pela Rua de Santa Catarina, uma rua apenas para pedestres com a maioria das lojas tradicionais. Nessa mesma rua encontrei o Café Majestic, fundado em 1921, um dos locais com mais glamour da cidade e considerado o 6º café mais bonito do mundo! 
Foi obrigatório passear a pé pela Avenida dos Aliados e admirar a bela arquitectura dos edifícios que a rodeiam. Bem pertinho fica a Livraria Lello & Irmão, que considero um ponto de visita incontornável da cidade. É considerada uma das mais belas do mundo! Devido ao deslumbramento da livraria decidi fazer o treino cardio do dia subindo os 240 degraus da Torre dos Clérigos. Do cimo consegui observar praticamente todos os pontos da cidade. Embora não tenha ido até à casa da Música, consegui vê-la da torre, uma fantástica obra arquitectónica desenhada pelo holandês Rem Koolhaas.
Um dos pontos principais do meu roteiro pelo Porto seria reencontrar o pobre desgraçado que me aturou durante todos aqueles meses no Brasil. Reafirmo: os amigos do intercâmbio são para a vida! Ele foi o meu guia turístico e levou-me ao local mais bonito do Porto, a ribeira. Cruzámos a Ponte Luís I em direção à marginal de Vila Nova de Gaia. Encontrei todo o tipo de bares e restaurantes, com vistas panorâmicas sobre o Porto! Acabei por jantar no restaurante Rabelos, lindo por dentro e por fora, atendimento cinco estrelas! Um conselho: senta-te numa esplanada na zona ribeirinha, pede um copo de vinho e simplesmente desfruta do momento…
Deixa o Estádio do Dragão para o final mesmo finalzinho da rota (com esperança de não haver tempo). Tinha o estádio do meu lado direito e não o encontrava, não fazia ideia que aquela caixa de cimento poderia ter um relvado com duas balizas lá dentro. O que me chamou realmente à atenção foi o shopping Dolce Vita Porto, incrível. Por acaso nesse mesmo dia jogava o Porto contra o Belenenses. Distraí-me por 5 minutos e foi o suficiente para encontrar os rapazes (benfiquistas) na bilheteira!! Não podia acreditar, tentei mil negociações para fazê-los desistir da ideia... até que me lembrei que o Casillas ia jogar! Tentei disfarçar o entusiasmo e a mudança de ideia repentina com um "pronto ganharam, vamos lá ver o jogo... se tem mesmo que ser", quando oiço um "deixa, vamos voltar para Lisboa". O QUÊÊ?? E o meu Casillas?? Tive que ir afogar as mágoas na Nut'Porto... se bem que o Casillas é bem mais doce que nutella.

Resumindo, não resisti aos encantos e deixei-me apaixonar pelo Porto. É uma cidade romântica com uma arquitectura deslumbrante. Bem mais bonita que Lisboa.





Rua de Santa Catarina




Majestic Café





Reitoria da Universidade do Porto

Livraria Lello&Irmão













Torre dos Clérigos



Igreja de São Pedro dos Clérigos


Sé Catedral



Ponte D. Luís I













Zona Ribeirinha, Rio Douro






Rabelos, Restaurante Bar




Rua das Flores



Nut'Porto