15 fevereiro 2014

AVC e Enfarte são a mesma coisa?

Através de um estudo/questionário feito pelos alunos do ISCTE, 77% dos portugueses afirmam saber que enfarte e Acidente Vascular Cerebral (AVC) não são a mesma coisa, no entanto 25,5% destes não sabem destacar as diferenças e muitos confundem os sintomas do enfarte com os do AVC.
Tenho lido pelo facebook frases deste tipo "apanhei um susto que quase tive um AVC" e quando questionadas afirmam com toda a certeza que um AVC é um ataque cardíaco. E agora eu pergunto-me: porque é que as pessoas teimam em mostrar a sua ignorância e burrice em plena rede social?
Só porque sou boa pessoa vou passar a explicar muito resumidamente o que é um AVC, até porque pode acontecer a qualquer pessoa próxima de nós (e a nós). No ano passado o INEM encaminhou 3036 pessoas para a Linha Verde do AVC. É melhor saber e nunca ter de usar do que precisar e pecar pela ignorância. Nunca se sabe quando nos vai fazer falta a informação adquirida em tempos de tranquilidade…

AVC = Acidente Vascular Cerebral, só até aqui já podem ficar a perceber que o AVC se dá no cérebro e não no coração (Uau né? Nunca vocês imaginaram!).

Existem dois tipos de AVC:
  • Acidente Vascular Isquêmico, que consiste na obstrução de um vaso sanguíneo do CÉREBRO que interrompe o fluxo de sangue para uma região específica do nosso cérebro, interferindo com as funções neurológicas dependentes daquela região afetada, produzindo uma sintomatologia ou deficits característicos, como dificuldade na articulação das palavras, assimetria do rosto, fraqueza nos membros superiores e inferiores (se a obstrução do vaso se der no hemisfério esquerdo do cérebro então é o braço e a perna direita que ficam afetados e vice-versa). Em torno de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos.
  • Acidente Vascular Hemorrágico, o mais grave. Quando existe hemorragia local, ou seja, quando a veia "rebenta", tendo como fatores  o aumento da pressão intracraniana, edema (inchaço) cerebral, entre outros, levando a sinais nem sempre focais. Em torno de 20% dos acidentes vasculares cerebrais são hemorrágicos.


A hipertensão é um dos maiores factores de risco de AVC, para além de doença cardíaca, colesterol elevado, obesidade, tabaco e ingestão excessiva de álcool.

Qualquer pessoa pode reconhecer um AVC fazendo à vítima três simples pedidos:


S (Smile) - peça que SORRIA.
T (Talk) – peça que FALE ou APENAS DIGA UMA FRASE SIMPLES (ex: hoje está um lindo dia)
R (Rise your arms) - Peça-lhe que levante AMBOS OS BRAÇOS.


Se a pessoa tiver dificuldade em realizar qualquer uma destas tarefas, chamem imediatamente ajuda, liguem para o 112 e descrevam os sintomas. Ou então fixem a regra dos Três F: desvio da Face, falta de Força no braço ou perna, dificuldade em Falar.


Se levarem uma vítima de AVC dentro das primeiras três horas para o hospital, a pessoa pode recuperar dos efeitos do derrame, totalmente. Um médico especialista disse que o segredo é reconhecer o derrame, diagnosticá-lo e receber o tratamento indicado dentro das três horas seguintes, o que é difícil porque a própria pessoa muitas vezes não sabe que teve um AVC.


E com este post espero conseguir fazer com que pelo menos dez pessoas o vejam e aprendam graças a mim, tenho a certeza que salvarei pelo menos uma vida indirectamente no futuro.

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